A preservação da salvação!



Esta doutrina [da preservação] faz parte da Doutrina da Salvação. A questão principal é: “O crente permanece para sempre na salvação, ou é possível perder-se depois de ter sido verdadeiramente salvo?” Diante deste problema dividem-se as opiniões dos teólogos. Analisemos o assunto:
evangelizando adventistas
1) Alguns teólogos ensinam: “uma vez salvo, salvo para sempre”.
Com muita convicção afirmam que “jamais se perderá aquele que uma vez foi salvo; quem é crente, é crente para sempre”. Dizem que, embora o crente seja livre, a natureza da salvação é tão profunda que ele jamais abandona a vida cristã! Deus preserva o crente em liberdade, e também no caminho da salvação: “Uma vez na graça, na graça permanecerá para sempre”. Já no tempo dos apóstolos havia esta corrente doutrinária. A chamada doutrina dos nicolaítas (Apocalipse 2.6,15), afirmava que “a graça de Deus sobre os crentes é tão poderosa que os atos dos homens não os afastam dela”. Importa salientar que Jesus disse que aborrecia tal doutrina (Apocalipse 2.6,15).
2) A Bíblia contradiz frontalmente a doutrina: “uma vez salvo, salvo para sempre”.
a) A Bíblia Exorta o Crente a Permanecer.
Somente o fato de a Bíblia exortar o crente a permanecer, constitui prova de que não concorda com a ideia de uma permanência automática independente da atitude e do seu procedimento pessoal:
■ Jesus mandou que os crentes permanecessem. “Se permanecerdes nas minhas palavras, verdadeiramente sereis meus discípulos” (João 8.31; Hebreus 6.11). Aquele que não permanecer em Jesus, como a vara na videira, é lançado fora (João 15.1-7).
■ Jesus mandou os crentes vigiarem (Marcos 13.33). Ele disse: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mateus 26.41). É na hora da tentação que aparece o perigo de o crente se desviar (Lucas 8.13). Mas se ele estiver vigiando, receberá a graça de vencer a carne (Mateus 26.41), achará “escape” (1Coríntios 10.13) e vencerá a batalha.
■ Jesus exortou a igreja em Filadélfia a que guardasse o que havia recebido. “Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Apocalipse 3.11). Ele não disse: “Você já é salvo, e ninguém jamais poderá tomar a sua coroa”, mas falou: “GUARDA!” O mesmo conselho ele deu à igreja em Tiatira (Apocalipse 2.25). Aliás dá-nos idêntico conselho ainda hoje.
■ A palavra “PERMANECER” aparece muitas vezes na Bíblia. Os apóstolos aconselhavam sempre os crentes a permanecer na fé (Atos 14.22; 1Tessaonicenses 3.2-5) e na graça (Atos 11.23 e 13.43), advertindo-os de que “ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus” (Hebreus 12.15). Os que não atenderem a essa exortação correm o perigo de “cair da graça” (Gálatas 5.4). Os que afirmam que “uma vez na graça, sempre na graça”, estão induzindo muitos a transformar em libertinagem a graça de Deus (Judas 4), expondo-os ao perigo de “receber a graça de Deus em vão” (2Coríntios 6.1).
■ A permanência é explanada por meio de três exemplos no Velho Testamento, nos quais Deus condicionou a manifestação do seu poder protetor à atitude dos homens de permanecer no lugar determinado por Ele:
a) A salvação pela aspersão do sangue do cordeiro pascoal, na noite em que os primogênitos do Egito foram mortos, estava condicionada a OBRIGAÇÃO de ninguém sair de casa, até pela manhã (Êxodo 122).
b) A proteção contra o vingador do sangue, que a cidade de refúgio proporcionava ao homicida que havia matado alguém por erro (Números 35.11-25), era condicionada ao dever de permanência na cidade! “Se o homicida, de alguma maneira sair dos termos da cidade do seu refúgio e vingador do sangue o achar fora e matar o homicida, não será culpado do sangue”, (Números 35.26-27).
c) A salvação prometida sob juramento, em nome do Senhor, a Raabe e a sua família, na ocasião da conquista Jericó por Israel, também era condicionada à obrigação de conservar uma fita cor de escarlata na sua janela, e cuidar que ninguém da família saísse da sua casa, pois para aquele que estivesse fora da porta da casa, não haveria proteção (Josué 2.12-20). Observamos, assim, que o ato de ser um crente preservado na salvação não é automático, mas depende da sua atitude de permanecer no Senhor.
3) A Bíblia adverte o crente contra o perigo de cair.
Somente esta expressão basta para mostrar a fraqueza da base doutrinária que caracteriza o ensinamento: “uma vez salvo, salvo para sempre”.
a) A Bíblia adverte: “Aquele que cuida estar em pé, olhe não caia” (1Coríntios 10.12). O apóstolo escreveu aos judeus que estavam em perigo de apostatar da fé: “Que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência” (Hebreus 3.15-19 e 4.11) e incentivou-os a não serem como aqueles que se retiram para a perdição, mas como os que “crêem para a conservação da alma” (Hebreus 10.39). A Bíblia diz que aquele que endurece o coração virá a cair no mal (Provérbios 28.14), e que a altivez do espírito precede à queda (Provérbios 16.18).
b) Assim, observamos que a Bíblia, em lugar de incentivar aos crentes a uma segurança absoluta, sem responsabilidade pessoal, os exorta a permanecerem na benignidade de Deus, a fim de que não sejam cortados, como o foram os israelitas, que não permaneceram (Romanos 11.20). Por isso, diz a Bíblia: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis, quanto a vós, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2Coríntios 13.5).
c) Existe, para quem não tomar cuidado, a possibilidade de ser reprovado, de ter crido em vão (1Coríntios 15.2.4).
A Bíblia apresenta exemplos de pessoas que se desviaram da salvação. Esses exemplos (Hebreus 4.1-2) constituem uma prova incontestável de que a doutrina “uma vez salvo, salvo para sempre” não é aprovada na Bíblia:
a) Ananias e Safira eram crentes, membros da Igreja em Jerusalém, e sobre eles havia abundante graça (Atos 4.33), mas nela não permaneceram, pois permitiram que o amor ao dinheiro os dominasse, entrando no caminho da mentira e da perdição (Atos 5.1-11 e 1Timóteo 6.10).
b) Judas Iscariotes. Os que sustentam a tese “uma vez salvo, salvo para sempre”, afirmam que Judas Iscariotes jamais foi salvo. O testemunho da Bíblia afirma o contrário. Judas era “um dos doze” (Mateus 26.14), e estava entre aqueles que Jesus chamou e enviou para pregar a palavra de Deus e para curar os enfermos (Mateus 10.4-8). Ele estava entre aqueles a respeito dos quais Jesus disse: “A vossa paz desça sobre ela” (Mateus 10.3), e que “o Espírito do vosso Pai é que fala em vós” (Mateus 19-20). Pela palavra profética, sabemos que Judas era um amigo íntimo de Jesus, em quem confiava (SaImo 49.9). Judas, porém, caiu na tentação de roubar as ofertas, pois ele era o tesoureiro (João 12.6 e 13.29). Assim, abriu a porta para o inimigo entrar (Lucas 22.3) e desviou-se (Atos 1.25). Desviar-se só é possível a alguém que está no caminho certo. O nome dele foi tirado do livro da vida (SaImo 69.25-28), um fato que prova que antes estava escrito. Jesus disse: “Não vos escolhi a vós, “os doze?” e um de vós é um diabo” (diabo em grego significa adversário – (Jó 6.70).
c) O rei Saul é um outro exemplo. Ele recebeu um coração mudado (1Samuel 10.9); foi revestido pelo poder do Espírito Santo e até profetizou (1Samuel 10.10). Mas desobedeceu à palavra do Senhor (1Samuel 13.14 e 15.19-20). Deus o rejeitou (1Samuel 15.23-28) e o Espírito de Deus se retirou dele (1Samuel 16.14). Depois de ter andado por caminhos tortuosos, Saul morreu a morte de um suicida, no monte de Gilboa (1Samuel 31.1-4).
d) A esposa de Ló estava sendo retirada pe­los anjos da destruição de Sodoma, quando, desobedecendo a palavra do Senhor, olhou para trás, e foi transformada numa estátua de sal (Gênesis 19.26; Lucas 17.32).
e) A Bíblia fala de um justo que se desvia “e, confiando na sua justiça, pratica iniquidade” então afirma: “não virão em memória todas as suas justiças, mas na iniquidade que praticou ele morrerá” (Ezequiel 33.13 e 18.24).
f) O povo israelita no deserto. A Bíblia relata que Deus, depois de ter libertado os is­raelitas do Egito, e após terem sido batizados em Moisés e no mar (1Coríntios 10.1-2), não se agradou da maior parte deles, pelo que foram prostrados no deserto (1Coríntios 10.5). Isto serve de figura para nós, e de advertência contra o perigo de cometermos os mesmos pecados que eles praticaram, isto é, cobiça, idolatria, apostasia, prostituição e murmuração (1Coríntios 10.6-10). Assim, vemos que a permanência na salvação não é automática, pois aquele que não tomar cuidado pode perder-se.
A DOUTRINA DA PRESERVAÇÃO DO CRENTE
O Espírito Santo quer, também nessa questão, guiar-nos em toda a verdade (João 16.13).
1) A Bíblia ensina que a preservação depende tanto do poder de Deus como da atitude do crente de permanecer em Jesus! Vejamos que tanto o Senhor Jesus Cristo, como os apóstolos, falaram sobre este assunto:
a) Jesus escreveu à igreja em Filadélfia“Como guardaste a palavra da minha paciência, eu também te guardarei na hora da tentação” (Apocalipse 3.10). Jesus vinculou a guarda da sua palavra ao seu poder protetor. Quando se referiu ao seu poder de guardar os crentes, as suas ovelhas, disse: “Ninguém as arrebatará da minha mão” e acrescentou: “Ninguém pode as arrebatar da mão do meu Pai” (João 10.28-29). Não existe um poder, nem na terra nem no inferno, capaz de fazer algo contra o poder da mão de Deus e de Jesus. Porém, Jesus advertiu sobre o perigo de o próprio crente afastar-se desta proteção. Jesus advertiu a seus discípulos quando vários dos que haviam crido tornaram atrás, e nãomais andavam com Ele: “Quereis vós também retirar-vos?” (João 6.67). Vemos que, se um crente voluntariamente sair da mão do Senhor, ele perde a sua salvação. Que Deus nos guarde.
b) Paulo escreveu: “Eu sei em quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2Timóteo 1.12) e continua na mesma epístola: “Acabei a carreira e guardei a fé” (2Timóteo 4.7). Paulo referiu-se tanto ao poder guardador de Deus, que é o FATOR PRINCIPAL da nossa permanência na fé (Romanos 8.35-39; Filipenses 4.13), como ao fato de haver ela guardado a fé. Por isso exortou os crentes a guardarem o depósito que lhes havia sido confiado (1Timóteo 6.20; 2Timóteo 1.14). Diz ainda: “O Deus de paz vos santifique” (1Tessalonicenses 5.23) e ordena: “Conserva-te a ti mesmo puro” (1Timóteo 5.22). O crente deve confiar em Deus (SaImo 37.5; 125.1; 2Coríntios 1.9), mas também ter cuidado de si mesmo (Lucas 21.34-36; Atos 20.28; 1Timóteo 4.16; Hebreus 12.15; 2João v.8).
c) Quando Paulo escreveu aos efésios sobre o ataque de Satanás contra eles, não se expressou: “Já sois salvos, e jamais podereis cair!” Pelo contrário, aconselhou-os dizendo: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes” (Efésios 6.10-13). Neste conselho, Paulo destacou bem o valor indispensável do PODER DE DEUS, a verdadeira fonte da vitória e da perseverança. Mas ele também salientou a responsabilidade do crente se revestir daquilo que Deus lhe entregou para a sua defesa espiritual. As diferentes partes da armadura de Deus representam aquilo que Jesus dá a todos os que se unem a Ele: cingidos da VERDADE, e vestidos da couraça da JUSTIÇA, e calçadoso os pés na preparação do evangelho da PAZ; tomando sobretudo o escudo da FÉ, e o capacete da SALVAÇÃO e a espada do ESPÍRITO que é a PALAVRA DE DEUS (Efésios 6.13-17). Qualquer crente pode receber isso pela fé em Jesus. Cumpre-se aqui a palavra: “Graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (1Coríntios 15.57).
d) O apóstolo Pedro também enfatizou ambos os lados da doutrina da preservação. Ele escreveu: “Mediante a fé, estais guardados na virtude de Deus” (1Pedro 1.5). Ele se refere tanto à VIRTUDE DE DEUS, o principal fato de guarda, como à responsabilidade que tem cada crente de viver nessa virtude PELA FÉ pois sem fé esta virtude para nada aproveita. A Bíblia diz: “A palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com fé, naqueles que a ouviram” (Hebreus 4.1-2).
 2) É necessário ter um equilíbrio bíblico na doutrina da preservação. Se houver ênfase somente no poder de Deus como a força quer guarda o crente, omitindo a sua responsabilidade pessoal de guardar-se do mal, abre-se a porta para uma vida espiritual de descuido. Se, por outro lado, houver ênfase somente no esforço do crente de guardar-se omitindo-se a gloriosa manifestação do PODER DE DEUS como o principal fator da guarda, abre-se caminho para um verdadeiro fracasso espiritual. A Bíblia fala e a experiência confirma: “Não por força nem por violência, mas pelo MEU PODER, diz o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 4.6). O caminho certo para preservar o crente na salvação é “mediante a fé guardada na virtude de Deus para a salvação já a se revelar no último tempo”(1Pedro 1.5). ASSIM, chegaremos lá!
3) A Bíblia mostra o caminho do arrependimento e do perdão. Para o crente guardar-se no caminho da salvação IMPORTA que ande na luz, como o Senhor na luz está! Então, o sangue de Jesus o purifica de qualquer falta que tiver cometido contra Deus (1João 1.7-9). A atitude normal é o crente NÃO PECAR (1João 2.1 e 3.6), mas “se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1João 2.1). Jesus viu graves falhas nas igrejas na Ásia Menor que constituíam perigo e ameça de morte espiritual (Apocalipse 3.1) e perda do castiçal. O próprio Jesus disse que batalharia contra elas (Apocalipse 2.16). Todavia, Jesus não ensinou às igrejas que “sendo já uma vez salvas estariam salvas para sempre”, pelo contrário, advertiu aquela igreja dizendo:“Arrepende-te!” (Apocalipse 2.5,16,21 e 3.3,19).
Um crente que vigia e se arrepende de qualquer falta cometida conserva a sua alma lavada no sangue de Jesus e, confiado no PODER DE DEUS, pode permanecer no caminho do Senhor até o fim! Que Deus nos guarde!
Extraído do livro “Introdução à Teologia Sistemática” de Eurico Bergstén
Comentários do Pr.Natanael Rinaldi

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