A perigosa ideologia de gênero

 Ciro Sanches Zibordi
Há quase cinco anos, escrevi uma carta aberta ao doutor Drauzio Varella, em resposta ao seu artigo “Violência contra homossexuais”, publicado em seu site, por meio do qual ele afirmara: “A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira”. Como eu discordei, respeitosamente, do eminente médico, recebi algumas críticas de militantes da “diversidade”, que me acusaram de não saber a diferença entre sexo e sexualidade. Neste artigo, gostaria de reafirmar o que disse naquela ocasião, acrescentando informações científicas, técnicas, publicadas recentemente no jornal Mensageiro da Paz — órgão oficial das Assembleias de Deus no Brasil —, mais precisamente no número 1.583, deste mês, página 15.

A matéria do Mensageiro da Paz mostra que, no primeiro semestre deste ano, conceituados pediatras ligados ao American College of Pediatricians, apresentaram uma nota oficial — contendo um posicionamento técnico, científico, e não ideológico ou político —, por meio do qual “insta educadores e legisladores a rejeitar todas as políticas que condicionam as crianças a aceitar como normal uma vida de representação química e cirúrgica do sexo oposto”. Eles reafirmaram que não existe, cientificamente, um “terceiro sexo”, visto que a “sexualidade humana é binária por princípio, com a finalidade óbvia de reprodução e florescimento de nossa espécie”. Segundo os pesquisadores, há casos “extremamente raros de diferenciação sexual (DSD — ‘disorders of sexual differentiation’)”, tratados “como distúrbios do projeto humano. Indivíduos com DSDs não constituem um terceiro sexo”. Segue-se que, assim como eu afirmara, em 2011, em carta aberta do doutor Varella, a sexualidade de uma pessoa não deve, naturalmente, ser diferente do seu sexo, a menos que ela — já madura — resolva renunciar sua natureza.

Fisiologicamente, o ser humano normal, sem nenhum distúrbio, nasce menino ou menina. E, por isso mesmo, a identidade de gênero não deve ser equiparada à masculinidade ou à feminilidade. É normal que uma mulher grávida, ao fazer a ultrassonografia, queira saber se seu filho é macho ou fêmea, não é mesmo? “Ninguém nasce com um gênero. Todos nascemos com um sexo biológico. Gênero (uma consciência e senso de si mesmo como homem ou mulher) é um conceito sociológico e psicológico, e não um conceito biológico objetivo”, diz a nota em tela. Não há nenhuma dúvida: o gênero não está ligado à genética; não existe “gene gay” ou “gene trans”. O que se admite, é claro, é a possibilidade de alteração de gene, decorrente de maus tratos na infância, por exemplo, o que pode fazer com que o infante ou o adolescente venham a adotar um comportamento que não corresponda à sua fisiologia. E, ainda que alguém resolva dizer que é “uma mulher no corpo de um homem” ou vice-versa, “não pertencem a um terceiro sexo. Permanecem homens biológicos ou mulheres biológicos”.

Os conceituados pediatras estadunidenses asseveram que a crença de que “ele ou ela é algo que eles não são é, na melhor das hipóteses, um sinal de pensamento confuso. Quando um menino biologicamente saudável acredita que ele é uma menina ou quando uma menina biologicamente saudável acredita que ela é um menino, um problema psicológico objetivo existe e está na mente, não no corpo, e deve ser tratado como tal”. Segundo a nota, tal comportamento resulta de uma Disforia de Gênero (GD), também conhecida como Transtorno de Identidade de Gênero (GID). Infelizmente, educadores há que, ao defender a famigerada ideologia de gênero, sequer admitem discussões ou discordâncias públicas e chamam de fascistas todos os que lhes se opõem. Entretanto, eles não se importam com a saúde das crianças e adolescentes, ignorando os perigosos riscos à saúde atrelados à tentativa de “mudança de sexo”. Segundo a nota, “Crianças que usam bloqueadores da puberdade para personificar o sexo oposto vão exigir hormônios do sexo oposto (‘cross-sex hormones’) no fim da adolescência”.

“Que pessoa compassível e razoável condenaria crianças a este destino, sabendo que após a puberdade 88% das meninas e 98% dos meninos acabarão por aceitar a realidade e alcançarão um estado de saúde física e mental?”, perguntam os pediatras. “Condicionar crianças a acreditar que uma vida inteira de representação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável, é abuso infantil. Endossar discordância de gênero como normal através da educação pública e políticas legais confundirá as crianças e os pais, levando mais crianças a buscar as ‘clínicas de gênero’, onde lhes serão dados medicamentos bloqueadores de puberdade”, respondem.

Portanto, é um absurdo que educadores (educadores?) queiram interferir no desenvolvimento normal das crianças, confundindo a sua mente e forçando-as a “escolher” uma vida de sofrimento, “uma vida inteira de hormônios do sexo oposto, cancerígenos e tóxicos, e provavelmente considerar desnecessária a mutilação cirúrgica de suas partes do corpo saudáveis quando adultos jovens”. Ora, se um adulto, já formado, quiser “sair do armário”, como fizeram a ex-heterossexual cantora Daniela Mercury e a ex-homossexual e, hoje, ex-heterossexual “pastora” Lana Holder, é um direito que lhes assiste. Mas, por favor, senhor@s, “todas e todos”, deixem as crianças em paz!

Ciro Sanches Zibordi

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