Por que o livre-arbítrio é uma doutrina bíblica cristalina?

Ciro Sanches Zibordi

 Ciro Sanches Zibordi

Em Mateus 23.37, o Senhor Jesus afirmou, diante da dureza do coração dos judeus: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” Observe que Jesus “quis” ajuntar os filhos de Jerusalém, porém eles “não quiseram” que Ele assim o fizesse. Isso não deveria nos levar a refletir profundamente sobre a doutrina bíblica do livre-arbítrio? Afinal, nesse caso, o Senhor Jesus, que é Deus e estava em perfeita sintonia com o Deus Pai, queria que os judeus quisessem. E, mesmo assim, eles não quiseram!

Paulo alertou os crentes de Corinto a respeito da manutenção da salvação em Cristo com as seguintes palavras: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se é que não crestes em vão” (1 Co 15.1-2). Note: a manutenção da salvação está condicionada à obediência ao evangelho verdadeiro (2 Co 11.3,4; Gl 1.8; 1 Tm 4.16). E a obediência deve ser voluntária, visto que não somos seres autômatos.

Em 2 Pedro 2, esse apóstolo mencionou falsos doutores que negariam o Senhor que os “resgatou” (v. 1). E, ao final desse capítulo, disse: “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro” (v. 20). Isso significa que as pessoas resgatadas, compradas, purificadas pelo sangue de Jesus, justificadas, regeneradas, santificadas e libertas, “se não guardarem o que têm recebido do Senhor”, perderão a salvação! Pedro ainda afirmou: “melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado” (v. 21). Se a vontade do salvo é inteiramente controlada por Deus, por que o próprio Deus, em sua Palavra, avisa que pessoas verdadeiramente resgatadas.podem se desviar do Caminho? 

Não é por acaso que Jesus Cristo alerta: “guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11). Segundo a Palavra do Senhor, aos que se desviam da verdade o Senhor dá tempo para que se arrependam (Ap 2.20,21). Alguns salvos em Cristo, “resgatados”, infelizmente têm apostatado da fé, “dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1). E não pense que esse texto se refere aos ímpios. Não! Pois eles não têm de que apostatar! Sim, os eleitos podem perder a salvação se não permanecerem em Cristo! Não é isso que vemos, ao estudar sobre as igrejas da província da Ásia? Os conselhos para aquelas sete igrejas abrangeram dois aspectos: arrependimento e manutenção da posição em Cristo. A ordem “Arrepende-te” foi transmitida à maioria delas (Ap 2.5,16; 3.3,19). Para as outras, o Senhor disse que deveriam guardar, reter, conservar o que tinham, até à morte, para que não perdessem a coroa (Ap 2.10,25; 3.11).

O crente que se acomoda, pensando estar salvo para sempre, está iludido e dormindo espiritualmente. Paulo disse aos seus irmãos em Cristo, em Éfeso: “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Ef 5.14). O pastor da igreja em Sardes estava morto — e não sabia! — e precisava tomar uma posição diante do Senhor (Ap 3.1). Ou seja, Deus não somente respeitava seu livre-arbítrio, como também estava lhe dando um tempo para que tomasse uma posição e que se deperta-se do sono.

Conquanto o Senhor Jesus tenha feito a sua parte, ao nos resgatar, temos de operar ou desenvolver, por assim dizer, a nossa salvação (Fp 2.12; Ef 2.10; Hb 6.9). Em 2 Timóteo 2.10, está escrito: “tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna”. Fomos transportados das trevas para a luz; e da morte para a vida (1 Pe 2.9; Jo 5.24). Contudo, se negarmos o Senhor, Ele também nos negará (2 Tm 2.12; Mt 10.32,33). Sabemos que os nossos nomes estão registrados no livro da vida, mas isso não autentica a máxima “Uma vez salvo, salvo para sempre”. A Palavra de Deus afirma: “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida” (Ap 3.5). Ou seja, Jesus não riscará o nome de quem vencer!

Finalmente, consideremos uma importante afirmação do autor da Epístola aos Hebreus: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” (Hb 3.12-14). Para quem foram dirigidas essas palavras? Aos “irmãos”! Pense nisso.

Ciro Sanches Zibordi

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